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 Toc Toc Teatro Gazeta

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Edson
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MensagemAssunto: Toc Toc Teatro Gazeta   Sex 12 Dez 2008, 08:26

Opinião do conselheiro


Mauro LimaAranha-*


TOC TOC: ou, a parte e o todo

Um destes sábados à noite, para não fugir à regra paulistana, fomos ao teatro, eu e minha esposa. Depois, a uma cantina. Se trocássemos teatro por cinema, cantina por restaurante, equivaler-se-ia dizer: a permanência do mesmo. Ou não?

Não. O conteúdo da peça (ou do filme) e da refeição instituem a diferença radical, ainda que as formas de um paulistano se distrair sejam pouco numerosas. No caso, acompanhem: “TOC TOC” é uma peça com seis personagens, portadores de transtorno obsessivo-compulsivo. Conversam, trocam idéias e experiências, à sala de espera de um consultório médico, enquanto longamente aguardam o psiquiatra que os assistirá, face ao atraso de um vôo que o retém numa outra cidade.

Este é o argumento. A intenção do espetáculo? Fazer-nos rir.

Para quem não conhece a doença, tudo é muito surpreendente: os rituais de limpeza de um, as verificações compulsivas de outra, a coprolalia de um outro (este, portador da síndrome de Tourette), e assim por diante. Relatam, de início hesitantes, suas várias vivências do TOC e afins. E, após confidências (e muitos pastiches), resolvem expor-se, uns aos outros, às situações específicas que lhes eliciam o TOC: sujeira, dúvidas patológicas, sentimentos de culpa, e outros. Intentam a uma terapia comportamental, improvisada. Que não dá certo. Todos remanescem iguais e, já cansados de esperar o digníssimo doutor, um a um vão embora por fim. Fica apenas o portador de Tourette. E, eis que então, o surpreendente desfecho da peça!!! Que, se eu o revelasse, lhes comprometeria a intenção eventual de vê-la. Mas, o que pensar de tudo isso, até aqui? Em verdade, antes de pensar, rimos. E alguns gargalham. Rimos e gargalhamos exatamente por não pensar? Por que nos faz rir o que, mais propriamente (se meditássemos) nos faria chorar?

O TOC é uma condição humana de doença, de sujeição (pathos) ao sofrimento, com a exata conotação de uma vida em cárcere, em que o tempo se estanca, e nada pode avançar, dado que nada é passível e possível de se dar convictamente por acabado. Uma, duas...mil vezes tem-se que lavar as mãos, verificar que as portas estejam trancadas... nada se apresenta como completo. Incompletude sem fim, medo sem fim. Interminável presente. O tempo é sem fim.

Ora, rimos. Mas, deveríamos rir? Bergson, filósofo francês do fin de siècle, não se espantaria: a comicidade é feita, em grande parte, de um isolamento. Não há, na situação ou personagem que se apresentam cômicos, uma comicidade tácita. Senão, uma indiferença do receptor à sua integralidade, ao seu todo coe¬so e significativo de experiência e vida, dado por fatores e contextos eminentemente pessoais. “(...) Na emoção que nos deixa indiferentes e que se tornará cômica, há uma rigidez que a impede de entrar em relação com o restante da alma na qual ela assenta” e, conclui, fazendo a distinção entre gestos e ação: “Na ação, é a pessoa inteira que se dá; no gesto, uma parte isolada da pessoa se exprime, sem o conhecimento total ou pelo menos separadamente desta”.

Rimos, por vezes, dos gestos alheios. Não de suas intenções, de suas ações significativas. Porque, onde vemos pessoa, não rimos.

Aos reais portadores de TOC (quanto sofrem!) resta o consolo, no entanto, de não serem únicos. Saibam, aliás: este que vos fala, em outros tempos, também o foi.

Ah! Não fosse o remédio (o santo remédio!)... Ao que, então, lhes pergunto: vocês, nesse instante, estão rindo de mim?


*Mauro Aranha é médico psiquiatra e conselheiro do Cremesp

Artigo disponível em : http://www.cremesp.com.br/?siteAcao=Jornal&id=1086


Última edição por Key maker em Qui 05 Fev 2009, 06:56, editado 2 vez(es)
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Edson
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MensagemAssunto: Comédia Toc Toc reestréia após incêndio do Cultura Artística   Sex 12 Dez 2008, 08:35

Comédia Toc Toc reestréia após incêndio do Cultura Artística

Ter, 16/09/2008 - 17:53

Toc Toc reestréia no teatro Gazeta, nesta sexta-feira (19)

Da Redação Online



Nesta sexta-feira (19), a peça Toc Toc, com direção de Alexandre Reinecke, de Vergonha dos Pés e monólogo da escritora Fernanda Young, reestréia no Teatro Gazeta depois de uma temporada de 14 semanas no Teatro Cultura Artística, atingido em agosto por um incêndio.

Após recente liberação, o cenário e o figurino foram resgatados do local do incêndio foram restaurados e reconstruídos para a continuação da temporada no novo teatro.

''Vivemos momentos de muita tensão. Não só pelo valor histórico do teatro, mas também por ter sido nosso local de trabalho nos últimos meses. Foi um momento trágico para todos os atores e envolvidos nos espetáculos que estavam em cartaz. O fogo não ter atingido nosso camarim realmente foi uma grande sorte. Não sou tão ligada em questões materiais, mas no camarim tinha uma foto da minha filha quando era bebê e não a perdi'', disse a atriz Márcia Cabrita, que interpreta a personagem Branca na peça.

Escrita pelo autor francês Laurent Baffie e apresentada no teatro Palais Royal, em Paris, Toc Toc aborda de maneira intuitiva e cognitiva uma doença que atinge parte da população mundial - O Transtorno Obsessivo Compulsivo. A peça trata dos distúrbios de seis personagens que se encontram na sala de espera do consultório de um grande especialista no assunto.

Com direção de Alexandre Reinecke, tem o elenco formado por Marcia Cabrita, Angela Barros, Marat Descartes, Flavia Garrafa, Riba Carlovich, Sergio Guizé e Carô Parra.

Toc Toc
Onde: Teatro Gazeta. Avenida Paulista, 900, Térreo. Tel.: (11) 3253- 4102
Quando: 19/9 a 23/11. Sextas às 21h30; sábados às 20h e domingos às 18h.
Quanto: R$60 (sextas e domingos) e R$ 70 (sábado)


Disponivel em : http://contigo.abril.ig.com.br/noticia/comedia-toc-toc-reestreia-incendio-cultura-artistica-303604.shtml
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MensagemAssunto: Fui assistir à peça   Qui 05 Fev 2009, 06:48

Bem, fui assistir à peça.
Depois dos posts acima : um do Mauro, colega de faculdade e outro reproduzido da imprensa , agora vão as minhas impressões pessoais.
A peça em si?
Ótima!
Atores?
Muito bons!
Portanto, é altamente recomendável. Aliás, a peça sai de cartaz em março.
Não é necessário ser nem psiquiatra nem paciente para entender ou achar graça das situações criadas. Toc é apenas um mote para falar do incômodo de sermos ( todos nós) agraciados com algumas características socialmente incômodas e lembrar que podemos nos dar por felizes se escaparmos de ter as francamente desagradáveis!
Rir da desgraça alheia é crueldade , mas fazer graça das próprias mazelas é solidário e convida ao congraçamento. Toc Toc faz isso.
Acho que vou fundar a Sociedade Protetora dos Neuróticos.

KM
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