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 Antipsicóticos Incisivos III

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Edson
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Data de inscrição : 21/02/2008
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MensagemAssunto: Antipsicóticos Incisivos III   Sab 18 Out 2008, 18:06

FLUFENAZINA

ANATENSOL
FLUFENAN

Acredita-se que a flufenazina melhora os estados psicóticos por bloqueio dos receptores pós-sinápticos dopaminérgicos mesolímbicos no cérebro. Também produz um bloqueio alfa-adrenérgico e deprime a liberação de hormônios hipotalâmicos e hipofisários.

Entretanto, o bloqueio dos receptores dopaminérgicos aumenta a liberação de prolactina da hipófise. Tem fraco efeito antiemético, antimuscarínico e sedativo, e forte efeito extrapiramidal. É metabolizada no fígado e excretada por via renal.

Indicações
Estados psicóticos, esquizofrenia e na fase maníaca da doença maníaco-depressiva. Dor neurogênica crônica.

Dose
Via oral - adultos: 0,5 a 2,5mg, 1 a 4 vezes ao dia, com ajuste da dose conforme a necessidade e tolerância. Os pacientes geriátricos ou debilitados necessitam, em geral, de uma dose inicial menor.

Dose limite para adultos: até 20mg/dia. Dose pediátrica: 0,25 a 0,75mg, 1 a 4 vezes ao dia. Via parenteral - adultos: intramuscular ou subcutânea: 12,5 a 25mg cada 1 a 3 semanas, conforme a necessidade. Dose máxima: até 100mg por dose. Crianças de 12 anos em diante: dose para adultos.

Reações adversas
Nos primeiros dias de tratamento, e com mais freqüência nos idosos podem, ocorrer efeitos extrapiramidais distônicos e congestão nasal. São de incidência menos freqüente: visão turva ou qualquer alteração de visão, pulso irregular, sensação de cansaço não habitual, palidez, micção dificultada, erupção cutânea, alterações do ciclo menstrual, enjôos, sonolência, secura na boca, secreção de leite não habitual, náuseas, vômitos, tremores dos dedos e mãos.

Precauções
Evitar o consumo de álcool ou outros depressores do SNC. Não tomar durante as 2 horas posteriores à administração de antiácidos ou medicamentos antidiarréicos. Cuidado ao dirigir, devido à possível sonolência ou visão turva.

Possível fotossensibilidade, sendo recomendado evitar a exposição ao sol ou o uso de lâmpadas solares. Pode ser ingerida com alimentos, água ou leite para diminuir a irritação gástrica.

No caso de terapêutica parenteral, controlar os pacientes geriátricos e pediátricos devido à maior incidência de reações hipotensoras e extrapiramidais. A relação risco-benefício deverá ser avaliada na indicação durante a gravidez e o período de lactação, já que pode produzir sonolência no lactente e em mães que tenham recebido fenotiazinas.

Os neonatos podem apresentar icterícia prolongada, hiporreflexia e hiperreflexia e efeitos extrapiramidais. Em crianças com doenças agudas (sarampo, infecções do SNC, desidratação, gastroenterite), desenvolvem-se com maior facilidade reações neuromusculares, principalmente distonias.Em idosos, sugere-se administrar a metade da dose usual para adultos. Em pacientes com síndrome orgânica cerebral deve-se diminuir a dose a um quarto da usual para adultos.

Interações
Os antimuscarínicos antidiscinésicos ou anti-histamínicos podem intensificar os efeitos colaterais antimuscarínicos (confusão, alucinações, pesadelos). As anfetaminas diminuem seu efeito estimulante quando utilizadas simultaneamente com fenotiazinas. O uso de antiácidos ou antidiarréicos pode inibir a absorção de flufenazina.

As fenotiazinas podem baixar o limiar das crises convulsivas, podendo ser, portanto, necessário ajustar a dose de anticonvulsivantes. Os antidepressivos intensificam os efeitos antimuscarínicos. Os efeitos antiparkinsonianos da levodopa podem ser inibidos pelo bloqueio dos receptores dopaminérgicos no cérebro.

O uso simultâneo de quinidina pode originar efeitos cardíacos aditivos. Os bloqueadores beta-adrenérgicos originam uma concentração plasmática elevada de cada medicação. O uso com antitireóideos pode aumentar o risco de agranulocitose.

Contra-indicações
Depressão grave do SNC, estados comatosos, doença cardiovascular grave; a relação risco-benefício deve ser avaliada na presença de alcoolismo, angina pectoris, discrasias sangüíneas, glaucoma, disfunção hepática, Mal de Parkinson, úlcera péptica, retenção urinária, hipertrofia prostática benigna, distúrbios convulsivos e vômitos.

ANATENSOL® - (B-MS)
Composição: Cada drágea contém cloridrato de flufenazina 1mg
FLUFENAN® - (CRISTÁLIA)
Composição: Cada comprimido contém: cloridrato de flufenazina 5mg.
FLUFENAN® Depot- (CRISTÁLIA)
Cada ampola (1ml) contém enantato de flufenazina 25mg.

HALOPERIDOL

HALDOL
HALOPERIDOL

Haloperidol é um derivado da butirofenona com efeitos similares aos das fenotiazinas derivados da piperazina. Produz um bloqueio seletivo sobre o SNC por bloqueio competitivo dos receptores dopaminérgicos pós-sinápticos, no sistema dopaminérgico mesolímbico, e um aumento do intercâmbio de dopaminas no nível cerebral para produzir a ação antipsicótica.

O decanoato, que é a forma de ação prolongada, atua como pró-fármaco, liberando de forma lenta e estável haloperidol do veículo. O bloqueio dos receptores de dopamina provoca reações motoras extrapiramidais, diminui a liberação do hormônio de crescimento e aumenta a liberação de prolactina pela hipófise.

Também existe certo bloqueio dos receptores alfa-adrenérgicos do sistema autônomo. Absorve-se por via oral em 70%; seu metabolismo, que é extenso, realiza-se no fígado; une-se às proteínas em 90% ou mais. Aproximadamente 40% de 1 dose oral única excretam-se pela urina em 5 dias, dos quais 1% é fármaco inalterado. Os 15% da dose oral excretam-se nas fezes por eliminação biliar.

Indicações
Tratamento de distúrbios psicóticos agudos e crônicos que incluem esquizofrenia, estados maníacos e psicose induzida por fármacos (psicose esteróidea). Pacientes agressivos e agitados. Em esquizofrenia crônica, é indicado o decanoato de haloperidol. Tratamento de problemas graves de comportamento. Síndrome de Gilles de La Tourette.

Dose
A forma farmacêutica oral pode ser ingerida com alimentos ou com leite para diminuir a irritação gastrintestinal. Dose para adultos: 0,5 a 5mg de 2 ou 3 vezes ao dia, ajustando-a de forma gradual conforme as necessidades e a tolerância.

Dose máxima: 100mg/dia. Doses pediátricas: não foram estabelecidas doses para crianças menores de 3 anos; em crianças de 3 a 12 anos a dose inicial de Haloperidol é de 0,5 mg/dia, até uma dose diária total de 0,15mg/kg/dia em 2 ou 3 ingestões.

Tratamento de comportamento não psicótico e síndrome de Gilles de La Tourette: 0,05mg/kg/dia em 2 ou 3 ingestões. Doses geriátricas: de 0,5 a 2mg 2 ou 3 vezes ao dia. Injetável – adultos: 2 a 5mg por via IM; repetir a dose se for necessário, a intervalos de 1 hora ou de 4 a 8 horas se os sintomas forem controlados. Dose máxima: 100mg/dia.

Decanoato: de 10 a 15 vezes a dose oral diária prévia de haloperidol até uma dose inicial máxima de 100mg a intervalos mensais. Não foram estabelecidas as doses para crianças.

Reações adversas
As crianças são muito sensíveis aos efeitos extrapiramidais. Os pacientes geriátricos ou debilitados são mais propensos ao desenvolvimento de efeitos extrapiramidais adversos e de hipotensão ortostática. Requerem atenção médica: disartria, instabilidade, rigidez de braços ou pernas, tremor e agitação de dedos e mãos, disfagia, movimentos de torção do corpo.

São de incidência mais rara: movimentos de mastigação, cansaço ou debilidade não habituais, tonturas, alucinações, erupção cutânea, aumento de sudorese. Sinais de superdosagem: dificuldade para respirar, tonturas, sonolência grave ou estado comatoso, tremores musculares, espasmos, rigidez ou movimentos descontrolados ou graves.

Precauções
Evitar a ingestão de bebidas alcóolicas ou de outros depressores do SNC durante o tratamento. Ter precaução se provocar sonolência durante a realização de exercícios. Podem aparecer secura na boca (efeito antimuscarínico) e possível fotossensibilidade da pele. Não é recomendável sua utilização em crianças menores de 3 anos. Os pacientes geriátricos são mais propensos à discinesia tardia e parkinsonismo.

Os efeitos leucopênicos e trombocitopênicos do haloperidol podem provocar um aumento na incidência de infecção microbiana, retardamento na cicatrização e gengivas sangrentas.

Interações
A ação do álcool é potenciada e pode ser produzida hipotensão grave. Diminui os efeitos estimulantes das anfetaminas e reduz os efeitos antipsicóticos do haloperidol. Pode aumentar ou diminuir a atividade anticoagulante de derivados cumarínicos ou da indandiona.

O haloperidol intensifica os efeitos antimuscarínicos da atropina e compostos relacionados. Aumenta as concentrações séricas de prolactina ao indicar-se simultaneamente com bromocriptina. Potencia a ação de depressores do SNC. Diminui os efeitos hipotensores da guanetidina e os efeitos terapêuticos da levodopa. Pode provocar efeitos mentais não desejados (desorientação) usando-se simultaneamente com metildopa.

Contra-indicações
Depressão do SNC, grave ou tóxica (induzida por fármacos). Mal de Parkinson. A relação risco-benefício será avaliada em alcoolismo ativo, alergias, epilepsia, disfunção hepática ou renal, hipertireoidismo ou tireotoxicose, glaucoma e retenção urinária.

HALDOL® - (JANSSEN-CILAG)
Composição: Cada comprimido contém haloperidol 1mg e 5 mg.

HALDOL DECANOATO® - (JANSSEN-CILAG)
Composição: Cada ml contém decanoato de haloperidol 70,52mg (equivalente a 50mg de haloperidol)
Apresentações: Amp. cx. c/3 de 1ml
HALOPERIDOL® - (I.V.B.)
Composição: Haloperidol 5 mg
HALOPERIDOL® - (BIOCHIMICO)
Composição: Cada ampola de 1ml de solução injetável contém haloperidol 5mg.
Cada comprimido amarelo contém haloperidol 1mg.
Cada comprimido branco contém haloperidol 5mg.
Cada ml (gotas) contém haloperidol 2mg
HALOPERIDOL® - (CRISTÁLIA)
Composição: Cada comprimido contém haloperidol 1mg e 5mg.
Cada ampola (1ml) contém haloperidol 5mg.
Cada ml de solução oral contém: haloperidol 2mg

PIMOZIDA

ORAP

A pimozida é um complemento sintético que pertence às difenilbutilpiperidinas. Essas estão relacionadas com as butirofenonas e, como elas, são neurolépticos-antipsicóticos de ação prolongada. A ação antipsicótica da pimozida deve-se ao bloqueio dos receptores dopaminérgicos D2 nos neurônios do SNC (sistema límbico e corpo estriado).

Além dos receptores D2, outros são afetados, o que gera diferentes efeitos adicionais (bloqueio muscarínico, bloqueio alfa1 adrenérgico, bloqueio H1 histaminérgico) que podem ser terapêuticos ou adversos. Mais de 50% da dose oral de pimozida absorvem-se no intestino e depois são extensamente metabolizados no fígado, liberando os principais metabólitos, cuja atividade é desconhecida. Sua principal via de eliminação é o rim. A meia-vida de eliminação em pacientes esquizofrênicos é de 55 horas, apesar de existir uma grande diferença interindividual.

Indicações
Em pacientes com síndrome de Gilles de la Tourette que não respondem ao tratamento habitual. Manutenção de psicóticos estabilizados, transtornos emergentes de pacientes no limite e personalidades esquizóides, paranóicas e obsessivo-compulsivas. Autismo infantil. Além disso, no alívio da psicopatologia da demência senil, coréia de Huntington, neuralgia pós-herpética e onicotilomania.

Dose
Iniciar com 1mg ou 2mg diários. Incrementar a cada dois dias. A dose habitual de manutenção geralmente é, no máximo, 0,2mg/kg por dia.

Superdose
Observam-se: anomalias eletrocardiográficas, reações extrapiramidais severas, hipotensão, estado comatoso com depressão respiratória. Tratamento: lavagem gástrica, assistência respiratória, administração de líquidos por via parenteral e vasopressores (exceto adrenalina). O paciente deve ser controlado pelo menos durante quatro dias.

Reações adversas
Reações extrapiramidais, discinesia tardia, síndrome neuroléptica maligna, mudanças no eletrocardiograma, astenia, dor no peito, hipotensão postural, náusea, vômitos, tonturas, tremores, doença de Parkinson, sudorese, erupções, visão turva, cataratas, noctúria.

Precauções
O tratamento com pimozida expõe o paciente a sérios riscos. Como outros neurolépticos, o paciente pode desenvolver um quadro de discinesia tardia potencialmente irreversível (risco maior nos idosos); síndrome neuroléptica maligna, potencialmente mortal, que se manifesta com hiper-reflexia, rigidez muscular, instabilidade autonômica e estado mental alterado; também ocorreram mortes súbitas, talvez causadas por algum efeito da pimozida sobre o coração.

Em fêmeas de camundongos têm se observado um incremento do risco de aparição de tumores da pituitária, situação não observada em fêmeas de ratos.

Interações
Fármacos que prolonguem o intervalo QT do eletrocardiograma (fenotiazinas, antidepressivos tricíclicos, antiarrítmicos).

Contra-indicações
No tratamento de cacoetes simples ou de cacoetes associados com a síndrome de Tourette. Depressão endógena, estados comatosos. Síndrome de Parkinson. Pacientes com prolongamento do intervalo QT do eletrocardiograma, seja congênito ou medicamentoso. Pacientes com arritmias cardíacas. Gravidez.

ORAP® - (JANSSEN-CILAG)
Composição: Cada comprimido contém pimozida 1mg e 4mg


para referir:
Ballone GJ - Antipsicóticos Típicos (Geral) - in. PsiqWeb, Internet, disponível em www.psiqweb.med.br, revisto em 2005.
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